O Pagador de Promessas: a estreia do Brasil no Oscar

Que o Oscar é a maior premiação cinematográfica todo mundo sabe, não é? Desde 1927, cineastas de todos os países sonham em conquistar a famosa estatueta entregue anualmente em reconhecimento a excelência de profissionais da indústria cinematográfica. No Brasil, os profissionais do audiovisual também não ficam de fora e buscam há anos esse reconhecimento. Porém, você sabe quando foi a primeira indicação brasileira ao prêmio?

A estreia oficial do Brasil na maior premiação do cinema mundial foi em 1945 na categoria melhor canção.  A composição “Rio de Janeiro“, de Ary Barroso (1903-1964), era trilha da produção americana “Brazil“, dirigida por Joseph Santley. A música, no entanto, disputou com outras nove canções e perdeu para “Swinging on a star”, de James Van Heusen e Johnny Burke, do filme “O Bom Pastor”.

 


  Música Rio de Janeiro interpretada por Ademilde Fonseca

 

Apesar desta tímida estreia em 1945, o grande lançamento do Brasil no Oscar é considerado por muitos a indicação do filme “O pagador de promessas” em 1963. O longa dirigido por Anselmo Duarte (1920-2009) é baseado em uma peça de Dias Gomes e concorreu ao prêmio de melhor filme estrangeiro. Na ocasião, o filme perdeu para a produção francesa “Sempre aos Domingos”.

Leonardo Vilar

Leonardo Villar interpretando Zé Burro

 

240px-pagador_promessas_cn_0092b

No filme, Zé do Burro (Leonardo Villar) e sua mulher Rosa (Glória Menezes) vivem em uma pequena propriedade próxima de Salvador. Um dia, o burro de estimação de Zé é atingido por um raio e ele acaba indo a um terreiro de candomblé, onde faz uma promessa a Santa Bárbara para salvar o animal. Com o restabelecimento do bicho, Zé põe-se a cumprir a promessa e doa metade de seu sítio, para depois começar uma caminhada rumo a Salvador, carregando nas costas uma imensa cruz de madeira. Mas a via crucis de Zé ainda se torna mais angustiante ao ver sua mulher se engraçar com o cafetão Bonitão (Geraldo Del Rey) e ao encontrar a resistência ferrenha do padre Olavo (Dionísio Azevedo) a negar-lhe a entrada em sua igreja, pela razão de Zé haver feito sua promessa em um terreiro de macumba.

Apesar de não ter levado o Oscar, “O pagador de promessas” levou a Palma de Ouro em Cannes. O filme também foi premiado no Festival de Cartagena, na Colômbia, e no San Francisco International Film Festival, nos Estados Unidos.

Depois desta indicação no Oscar de 1963, o Brasil só foi indicado à categoria de melhor filme estrangeiro em 1996 com o filme “O Quatrilho“, com Glória Pires e Patrícia Pillar no elenco. Um hiato de 33 anos sem indicações ao Oscar. 

logo-prime