O Pelourinho onde eram castigados os primeiros africanos traficados é mostrado em Sankofa

2º episódio de Sankofa – A África que Te Habita vai ao ar no dia 8 de maio, às 20h30, no canal de TV pago Prime Box Brazil

 

O Pelourinho de Cabo Verde, onde os primeiros africanos escravizados eram castigados, é o local de memória visitado no 2º episódio da série Sankofa – A África que Te Habita. No Brasil, o bairro da capital baiana que importou a forma de opressão dos colonizadores portugueses foi ressignificado em monumento turístico. A atração vai ao ar no dia 8 de maio, às 20h30, no canal de TV pago Prime Box Brazil.

Historicamente, o Pelourinho ficou associado ao local de súplica contra violência assustadora aplicada sobre uma pessoa. Esse é o entendimento partilhado por Paulo de Jesus, Professor Doutor de História da África da UFPB. O pesquisador elucida o caráter simbólico da dor. “Um senhor punia um africano escravizado que cometia um erro, com a intenção de evitar que outros o cometessem. Então, o pelourinho vira essa referência de uma punição exemplar e pública”.

Cabo Verde é o primeiro de nove países do tráfico transatlântico que o afro-brasileiro, César Fraga, e o Professor de História da UERJ, Maurício Barros de Castro, percorreram e podem ser acompanhados ao longo de 10 episódios. Uma expedição desacreditada por africanistas. “Disseram que a gente não ia encontrar mais essa memória e que esses espaços não estavam conservados. Encontrar aquele símbolo desse trágico capítulo da humanidade, para nós foi emocionante”, explica César sobre o Pelourinho. Neto de mulher escravizada, ele idealizou o projeto para resgatar as origens de sua ancestralidade.

Para Maurício, a experiência reeducou seus sentimentos. “Eu cresci vendo imagens do [Jean Baptiste] Debret e uma das mais celebrizadas é justamente a do açoite, que era de um negro escravizado, nu e acorrentado num pelourinho. A repetição dessa imagem, ao contrário de causar um certo choque, vai também te naturalizando essas violências. E quando eu estava na África, eu desnaturalizei isso, porque eu percebi que ali era onde tudo tinha começado, por conta dessa empreitada colonial escravista europeia”, revela o pesquisador da diáspora africana convidado por César para o projeto. 

A partir dos anos 1980, o bairro baiano foi transformado em local de resistência. “Se sofrer a punição no passado, foi também uma prova de desrespeitar os limites impostos pelos senhores, residir no Pelourinho significou construir, sob condições adversas, uma sociabilidade própria da gente negra de Salvador, que criou o Olodum, o Afoxé Filhos de Gandhy e outras referências culturais de matrizes africanas”, contextualiza Paulo. Sankofa – A África que Te Habita é assinada pela FBL Criação e Produção, dirigida por Rozane Braga, roteirizada por Zil Ribas e com fábulas mitológicas narradas pela atriz Zezé Motta.